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PSICANALISE CURA PELA FALA

  • Foto do escritor: celia cristina Ferraz
    celia cristina Ferraz
  • há 5 dias
  • 1 min de leitura

A ideia de “cura pela fala” ocupa um lugar central na psicanálise desde Sigmund Freud. Diferente de abordagens que buscam respostas rápidas ou soluções diretas, a psicanálise aposta na palavra como caminho de transformação. Falar, nesse contexto, não é apenas relatar acontecimentos, mas permitir que algo do inconsciente venha à tona.

O sujeito chega à análise, muitas vezes, tomado por sintomas que não compreende: angústias, repetições, conflitos que insistem. Ao começar a falar livremente, sem censura, abre-se um espaço onde lapsos, associações e silêncios também dizem algo. É nesse movimento que a fala deixa de ser apenas comunicação e se torna revelação.

Na escuta do analista, o que importa não é apenas o conteúdo, mas o modo como se fala — as repetições, os deslocamentos, aquilo que escapa. Como desenvolveu Jacques Lacan, o inconsciente é estruturado como uma linguagem. Ou seja, há um saber que se organiza na palavra, mesmo quando o sujeito não tem consciência disso.

A chamada “cura” não significa eliminar completamente o sofrimento, mas produzir um deslocamento em relação a ele. Ao se escutar, o sujeito começa a reconhecer sua participação nos próprios conflitos, a dar novos sentidos à sua história e a se reposicionar diante do que antes o paralisava.

A fala, então, não cura por si só, mas pelo trabalho que possibilita: transformar o não dito em algo que pode ser simbolizado. O que antes aparecia como sintoma pode, pouco a pouco, ganhar significado. E, nesse processo, o sujeito deixa de ser apenas efeito de sua história para se tornar também autor de novas formas de existir.


 
 
 

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